Protocolo Babel Finance chega a acordo para pagar usuários após bloquear saques
O protocolo de empréstimos de criptomoedas Babel Finance chegou a acordos preliminares com seus credores sobre o pagamento de algumas dívidas. Com isso, o protocolo deve começar a liberar os saques, limitados na sexta-feira passada (17).
No entanto, a empresa não informou quais acordos foram fechados nem quem foram os credores beneficiados. O comunicado oficial diz apenas que a empresa avaliou a liquidez de seus fundos e chegou a estes acordos.
“A Babel Finance cumprirá ativamente suas responsabilidades legais para com os clientes e se esforçará para evitar maior transmissão e difusão de riscos de liquidez. Agradecemos aos nossos clientes por sua compreensão e apoio durante este período, e esperamos obter mais apoio de nossos parceiros”, disse a empresa.
Os problemas de liquidez afetaram diversos protocolos e fundos centralizados de empréstimos na semana passada. A desvalorização do mercado de criptomoedas causou fortes liquidações, prejudicando quem operava com alavancagem nestes setores.
Limitações de saques
Enquanto alguns fundos e protocolos bloquearam saques por completo, a Babel Finance permitiu a retirada de valores menores. Mas na sexta-feira, o protocolo bloqueou os saques que fossem maiores que US$ 1.500 (R$ 7.700 na cotação atual).
Este valor corresponde a um limite mensal, ou seja, os clientes do protocolo podem sacar menos de R$ 8.000 mensais. Mas diversas carteiras possuem saldos até dez vezes maiores, o que naturalmente prejudicaria todos os investidores.
A Babel Finance citou “pressões de liquidez incomuns” como justificativa. Na prática, o protocolo sofre com o mesmo problema que levou a Celsius a travar completamente os saques. No entanto, a Babel não revelou quais foram os problemas de liquidez.
Na sequência, a empresa realizou uma “avaliação de emergência” das operações e disse que as pressões de liquidez de curto prazo “atenuaram”.
“Nós nos comunicamos ativamente com acionistas e investidores em potencial e continuaremos a nos comunicar e obter suporte de liquidez”, continuou o comunicado.
De grandes investimentos a crises
No final de 2021, a Babel Finance tinha um saldo de empréstimos pendentes de mais de US$ 3 bilhões, acima dos US$ 2 bilhões de fevereiro.
A empresa no mês passado levantou US$ 80 milhões em uma rodada de investimento Série B no mês passado. O valor corresponde a R$ 450 milhões na cotação atual e elevou o valuation da empresa para US$ 2 bilhões (R$ 10,2 bilhões).
Mas a Babel Finance foi alvo de uma crise de liquidez que atingiu os mercados como um todo. A princípio, a maior parte desta crise ocorreu porque os fundos estavam alavancados em várias operações, mas o mercado em queda causou liquidações em massa.
Como resultado, os fundos registraram perdas líquidas em seus investimentos e tiveram que vender posições em criptomoedas. Tal medida contribuiu tanto para aprofundar as desvalorizações quanto para comprometer a solidez dos fundos.
O Three Arrows Capital (3AC), por exemplo, tinha grandes posições em Ether (ETH) e vários investimentos em protocolos de finanças descentralizadas (DeFi). Parte dos rendimentos pagos aos investidores vinha dessas aplicações, que secaram quando o mercado entrou em queda.
Agora, os investidores temem que a crise de liquidez atinja empresas maiores, como a Nexo e até a gigante BlockFi. Para o investidor Miles Deutscher, esta é a “maior crise de retirada de liquidez da história do mercado de criptomoedas”.
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