Empreendedorismo cripto: entrevista especial com Cátia Azenha (Mundo Cripto Feminino)

O mercado de criptomoedas ainda é um espaço cujo domínio é masculino, mas as mulheres já começam a ampliar sua participação. Isso se reflete no próprio especial do Dia da Mulher, publicado no CriptoFácil durante esta semana.

Ao invés de um só texto, o especial contará com uma série de matérias em homenagem à participação feminina no mercado. O primeiro deles contou com a participação de mulheres brasileiras, enquanto o segundo é uma entrevista do outro lado do Atlântico.

Cátia Azenha: de Sintra para o Mundo Cripto

Cátia Azenha é portuguesa e atualmente mora em Sintra, cidade próxima de Lisboa. Mas sua estadia de cinco anos a fez construir uma ligação especial com o Brasil.

E foram esses laços que a fizeram conhecer o Bitcoin (BTC) e a comunidade brasileira, o que resultou no projeto de educação financeira Mundo Cripto Feminino. Além disso, Cátia também é sócia do Hold BTC 100, projeto que ensina a investir em BTC de forma segura e fácil utilizando a estratégia de compras recorrentes.

O CriptoFácil realizou uma entrevista exclusiva com Cátia na qual ela falou sobre sua trajetória e também da importância da educação financeira para as mulheres. Confira agora.

Trajetória Brasil-Portugal

CriptoFácil: olá, Cátia, e desde já obrigado por topar conversar conosco. Em primeiro lugar, fale um pouco da sua trajetória desde quando você conheceu o Bitcoin até hoje.

Cátia Azenha: Eu vivi no Brasil durante quase 5 anos e, nessa altura eu mexia com cambio de Euro, Real e Dólar, no meu dia-a-dia. Como eu sempre gostei de economia e investimentos, na altura eu decidi estudar Forex para entender um pouco mais a fundo. Foi nesse processo de estudo, em 2014, que eu ouvi falar do Bitcoin pela primeira vez. No entanto, como estava focada em outras coisas, eu não me aprofundei e deixei para estudar depois.

Esse depois foi só em 2017 e decidi que era o momento de investir. Mas eu não sabia nada, nem que estava em Bull Market. Com a entrada do Bear Market em 2018, entendi que precisava estudar mais sobre o assunto. E foi assim que aconteceu.

Em 2020, com a chegada da pandemia e quando todo mundo começou a fazer lives, percebi que em Portugal não havia nenhuma mulher a falar sobre criptomoedas e no Brasil, apesar de haverem mulheres a trabalharem na área, elas não estavam a ter visibilidade nas redes. E foi assim que eu decidi começar o projeto Mundo Cripto Feminino, que é um projeto educativo para ajudar a que mulheres invistam em criptomoedas e que tenham consciência da necessidade de pensarem na sua independência financeira, mas também dar alguma visibilidade a outras mulheres.

Repercussão além-mar

CriptoFácil: você é portuguesa, mas seu trabalho teve uma forte repercussão além do Atlântico (Brasil). O que te fez começar atuando por aqui ao invés de na sua terra natal?

Cátia: Eu vivi no Brasil quase 5 anos. Para além disso, eu conheci criptomoedas pela comunidade no Brasil, comecei a investir com P2P brasileiro e em reais, porque na altura eu ainda trabalhava para o Brasil. Tudo se encaminhou para que eu criasse ligação, amizade e parceria com pessoas do Brasil. E, apesar de já viver novamente em Portugal há alguns anos, não perdi essa ligação que foi muito importante para mim.

Diferenças entre os dois países

CriptoFácil: quais são as principais diferenças e semelhanças que você enxerga nas comunidades de criptomoedas no Brasil e em Portugal?

Cátia: a grande diferença que eu vejo é que a comunidade de criptomoedas de Portugal ainda é muito voltada para si própria. As pessoas discutem muito questões técnicas, novidades e outros assuntos, mas há poucas pessoas voltadas para quem está a chegar agora, para quem não sabe sequer por onde começar.

E é esse ponto que eu sempre vou insistir, para que as pessoas possam ter acesso à porta de entrada neste mundo e não fiquem vulneráveis a empresas maliciosas que dizem ter um gerente de conta que fazem tudo por elas. E sabemos que o resultado é sempre o mesmo: as pessoas acabam por perder o seu dinheiro por puro desconhecimento.

No Brasil há produtores de conteúdo de todos os tipos, para ensinar do básico ao mais avançado, com estilos diferentes. Existe, por isso, muito mais acesso a informação de qualidade. Para além disso, acho que a comunidade é mais unida e existe o sentimento que é importante que a comunidade cresça como um todo para chegar cada vez a mais pessoas.

Cátia Azenha. Fonte: arquivo pessoal.

Educação financeira

CriptoFácil: Você também é sócia do Hold BTC 100, que é outro projeto que visa trazer educação financeira voltada essencialmente para o Bitcoin. Qual a importância que você atribui esse tema, especialmente para o público feminino?

Cátia: educação financeira é o início de tudo. As pessoas precisam falar sobre dinheiro, sobre o que se passa no mundo que nos afeta diretamente e como as criptomoedas podem ajudar e contribuir para um futuro melhor.

Infelizmente, as mulheres ainda não se preocupam muito com a sua saúde financeira, acabam por delegar essa preocupação para os seus namorados ou maridos porque ainda acham que “dinheiro é coisa de homem”. Mas depois se existe alguma mudança na vida acabam por ficar perdidas e com situações financeiras delicadas.

É então necessário mudar esse pensamento, levar a educação financeira a mais mulheres para que tenham o conhecimento, independentemente de terem ou não um companheiro. O Mundo Cripto Feminino é um projeto educativo que se preocupa muito o público feminino.

O Hold BTC 100 é um projeto inicialmente criado pelo Huberto Leal. Posteriormente ele me convidou a integrar também. É um projeto que mostra que pode ser muito fácil investir, sem perder muito tempo e sem preocupações com a cotação: Basta separar um valor por mês e investir em Bitcoin, independentemente do preço, todos os meses.

Os resultados do projeto falam por si e claramente que esta estratégia de preço médio tem dado resultados muito bons.

Campanhas e violência contra a mulher

CriptoFácil: Você participou, junto com o Hold BTC 100, de uma campanha para a Associação Fala Mulher. Como foi a experiência dessa campanha?

Cátia: a Associação Fala Mulher é uma instituição que ajuda mulheres em situação de violência doméstica e eu, como mulher a produzir conteúdo para o público feminino, essa é uma preocupação muito forte que tenho. Muitas mulheres mantêm-se em relacionamentos abusivos por terem uma dependência financeira. E se eu puder ajudar, pelo menos uma mulher a sair dessa situação, então terei alcançado o meu objetivo.

Foi então por isso que selecionamos esta instituição, que faz um trabalho muito sério. Quanto à campanha, na verdade ainda não terminou. Nós decidimos continuar a campanha e ajudar esta instituição de uma forma mais prolongada, e aproveito o espaço para pedimos a todos que procurem as redes da Associação Fala Mulher e que contribuam diretamente em criptomoedas para as carteiras disponíveis.

Nota: o CriptoFácil fez uma matéria a respeito da campanha. Se você deseja conhecer mais e dar seu apoio, clique aqui.

Mulheres e a criptoesfera

CriptoFácil: como você enxerga o tratamento às mulheres no mercado e a criptoesfera? Você enxerga que há algum preconceito ou machismo nesse sentido? Já passasse por alguma situação que te deixou desconfortável?

Cátia: eu acho que existe uma ideia generalizada que as mulheres não investem em criptomoedas. Já conversei com alguns produtores de conteúdo que me dizem que não tem público feminino. Mas eu sei que as mulheres investem sim e como prova posso dizer que mais de 50% do meu publico são mulheres.

Elas talvez se sintam mais à vontade em tirar dúvidas com outras mulheres. E isso não tem nada a ver com os produtores de conteúdo, mas sim resultado de uma sociedade machista em que as mulheres ainda são muito assediadas, de forma geral.

Mas em relação à comunidade de criptomoedas não tenho nada a dizer. Sempre fui muito bem recebida e tratada de igual para igual.

Por onde começar?

CriptoFácil: que conselhos ou dicas você daria para as mulheres que querem empreender ou investir de alguma forma, seja no mercado cripto ou em outras áreas?

Cátia: o primeiro conselho que eu dou é: comecem! As mulheres acham que têm que se provar perante os outros e, por isso, muitas vezes demoram a começar a investir ou a empreender porque acham que precisam saber tudo antes de começar.  Mas como nunca sabemos tudo, muitas acabam por desistir ou acabam por perder boas oportunidades. Comecem aos poucos, mas comecem! 

Outro conselho muito importante é: mulheres, falem com outras mulheres sobre dinheiro ou sobre aquela ideia de empreendedorismo que tiveram. Vamos banalizar esse assunto entre nós. Os homens falam com frequência entre si sobre carreira, objetivos, dinheiro e empreendedorismo. Mas isso ainda não é assim tão comum entre mulheres. Vamos falar sobre os nossos investimentos às nossas amigas e incentiva-las a fazer o mesmo. Vamos mostrar que sim, é possível e que não é assim tão difícil. Vamos dar o exemplo!

Por fim, recomendo que procurem mulheres que trabalham na área e não tenham receio de tirar todas as dúvidas com elas. Eu mesma estou sempre disponível para isso no Mundo Cripto Feminino. A criptoeconomia é a melhor forma de democratizar o acesso ao dinheiro e a uma vida melhor e, sem dúvida, que ela é para todos e todas.

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