Série Blockchain para Impacto Positivo: um encontro de trilhões de dólares

Todos os anos, o dicionário Collins seleciona ‘‘as palavras que marcaram ano’’. Em 2021, os 10 termos campeões foram: tokens não fungíveis (NFTs), ansiedade climática, metaverso, criptomoedas, duplamente vacinado, pingdemia (notificações sobre pandemia), cheugy (brega com cringe), trabalho híbrido, novos pronomes e regencycore (roupas com estilo da realeza).

Na seleção anual das pessoas, termos e associações mais influentes do setor das criptomoedas do Cointelegraph, o metaverso ficou em #25 lugar e a Crypto Climate Accord e Climate Chain Coalition ficaram em #34 lugar, ao lado do colecionador de NFTs e rapper Snoop Dog.

A relevância geral do setor cripto no ano de 2021 teve uma ajuda dos investidores de risco, que aportaram mais de US$ 25 bilhões em empresas blockchain no último ano, triplicando o investimento feito em 2020.

Fonte: Pitchbook

Impacto chama atenção de fundos que somam US$ 45 trilhões

Já de acordo com a Reuters, o ano foi do ESG (Environmental, Social and Governance), que atingiu um recorde de US$ 649 bilhões de dólares em investimentos de fundos focados na transição climática só no mês de novembro. Em 2021, o investimento de risco nas climate tech, -que são as startups de tecnologia voltadas às soluções climáticas-atingiu pela primeira vez a marca de US$29 bilhões. No setor de investimento tradicional, fundos que representam mais de US$ 45 trilhõesde ativos sobre gestão se comprometeram com a transição de seus portfólios para investimentos de baixa emissão de carbono e impacto positivo para o clima.

Grande parte do avanço do setor de investimento em empresas e soluções relacionadas ao clima advém das obrigações regulatórias e da percepção cada vez mais clara de que o risco climático é o maior desafio da nossa geração. Mas além da questão regulatória, a transformação desse paradigma está sendo catalisada pela mudança de cálculo dos consumidores, que estão dispostos a pagar mais por produtos éticos e sustentáveis. Somada às obrigações regulatórias e as requisições dos consumidores, temos o boom do setor ESG.

Não importa se você é um cripto native, um investidor tradicional que busca em cripto uma forma de diversificação ou se o seu interesse é em investimentos sustentáveis, NFTs, metaversos e criptomoedas vão causar uma disrupção no setor ESG e as criptomoedas precisa de cases reais para fortalecer seu ecossistema.

Enquanto estimativas esperam que as criptomoedas cheguem a marca dos US$ 50 trilhões em capitalização até 2030, os investimentos globais em ESG devem atingir os US$ 53 trilhões ainda em 2025, o  impacto na web3 é um encontro de trilhões de dólares, que está apenas nascendo e queremos te ajudar a navegar nessa tendência. 

O twitter de Elon Musk e questão do impacto ambiental das criptomoedas

Após o twitter do Elon Musk sobre as preocupações do investidor com a questão climática do Bitcoin, que antecedeu uma queda de 50% no preço do ativo, o setor cripto voltou-se à questão climática e o debate foi ampliado-se, do gasto energético do Bitcoin ao carbono dos NFTs. 

Mas, apesar do número crescente de exchanges que se compensam, mineradores que usam energia renovável e da recente explosão do uso das criptomoedas para apoio da Ucrânia, há poucas soluções que buscam impulsionar as tecnologias descentralizadas para de fato resolver problemas globais, ao invés de simplesmente olhar a questão pela perspectiva da mitigação de seus impactos negativos.

Top Tokens de Impacto

Mas isso vai mudar. Nós já vemos os sinais e o setor já conta com projetos significativos web3 -tecnologias descentralizadas tal como DeFi, Organizações Autônomas Descentralizadas (DAOS) e os NFTs- para impacto.

Projetos como Stepn (GMT & GST), Regen Network (REGEN), KlimaDAO (KLIMA), Energy Web Token (EWT), Power Ledger (POWR) e Toucan Protocol (BTC) já somam centenas de milhões em capitalização e mais de 34 milhões de toneladas de carbono compensada. Mas ainda é pouco, o potencial da blockchain para impacto diz respeito a ajudar a resolver os maiores problemas que enfrentamos como sociedade, da erosão da socialização, ao aquecimento do planeta.

Um exemplo que gostamos é do move-to-earn, de projetos como GenoPets e Stepn. A obesidade é um dos grandes problemas do mundo e mata hoje mais do que as guerras. E se, ao invés da tecnologia e dos metaversos serem usados para aumentar a alienação, eles pudessem ser usados para incentivar exercícios físicos e a interação das pessoas fora de casa? Essa é a proposta dos move-to-earn, jogos que incentivam os usuários a moverem-se e recompensam-os por essa atividade. Ajudando na saúde e no meio ambiente.

Ampliando as perspectivas: do carbono aos habitats

Entretanto, um dos desafios que encaramos quando a questão é o setor de impacto na web3, é a transposição dos ativos e perspectivas do mercado tradicional. Como mostra o report da Breakthrough Energy, em carta assinada por Bill Gates, o mindset de offset necessita ser ampliado, indo além do atual formato de créditos exclusivamente relacionados somente ao carbono. O mesmo vale para o impacto na web3, as oportunidades são imensas, mas os modelos continuam reproduzindo o mindset do carbono.

Da mesma forma que o setor cripto olha para o problema climático na ótica de mitigação, o setor tradicional, que já lida com a questão há algumas décadas, apenas vê a compensação de carbono. Ignorando o fato de que o estoque de carbono é apenas um dos dezenas de serviços ecossistêmicos atrelados a florestas, ao mar, pântanos e outros habitats naturais.

Fonte: arte adaptada pela Impacta do original de Jan Konietzko

Na transição para uma sociedade atenta aos riscos climáticos e sociais, a inovação é um fator fundamental para criação de mercados e soluções anti frágeis, de longo-prazo e amplas.

Como mencionado na carta de Bill Gates, “mesmo que todas as compensações funcionassem exatamente como anunciado, elas fariam pouco para incentivar a inovação de que precisamos para uma transição energética global.”

Esse é o caso dos projetos que apostam na transição para uma economia sustentável e regenerativa, onde externalidades negativas são transformadas em externalidades positivas. Não apenas compensando as emissões de carbono, mas criando soluções propositivas para problemas globais.

Seguros descentralizados para fortalecimento de sistemas agrícolas

Um caso interessante de transformação desencadeado por mudanças climáticas é dos setor seguros – um mercado de US$ 40 trilhões– que está se transformando rapidamente. À medida que enchentes, furacões, queimadas e outros eventos destroem cidades, a indústria de seguro é afetada e precisa elevar seus preços, excluindo ainda mais populações em risco, ao acesso a esses serviços. Na África Subsaariana – apesar do aumento de cinco vezes no microsseguro agrícola registrado entre 2011 e 2014 – apenas 3% dos pequenos produtores tem seguro agrícola.

A exclusão desses agricultores, piora a crise alimentar, agravando o ciclo de impactos negativos. A grande questão aqui é, como pensar em soluções de seguro descentralizado para proteção dessas populações e para a resiliência dos sistemas agrícolas? Um exemplo interessante é do Etherisc , um protocolo que está propondo a criação de soluções de seguros descentralizados para agricultores.

Como podemos superar a mentalidade restrita, que aborda o problema ambiental em nível empresarial como um problema de compensação restrita ao carbono – ignorando todas as outras vertentes do problema e todas as inimagináveis soluções que podem surgir do desenvolvimento de soluções web3 focadas em problemas globais?

Série Impacta

Para responder essa questão, a série blockchain para impacto positivo, em parceria com a Celo Foundation e o Criptofácil vai abordar os maiores desafios e as soluções mais inovadoras do impacto na web3, desdobrando sua série de podcast em oito artigos (com esse) publicados semanalmente aqui no Criptofácil.

Os artigos vão cobrir:

#2 Cripto-ativos ambientais: explicaremos de que forma as criptomoedas estão auxiliando na digitalização de serviços ecossistêmicos ambientais, assim como dados do crescente setor de finanças regenerativas.

#3 Infraestrutura digital: como soluções tecnológicas estão promovendo a infraestrutura básica para a implementação real de casos para o bem comum.

#4 Cidades inteligentes e verdes: focaremos aqui na gestão de recursos, e no uso da tecnologia blockchain para melhorar a qualidade de vida da população.

#5 Inclusão financeira: de que forma as criptomoedas e a infraestrutura de protocolos descentralizados estão auxiliando a bancarização de quem nunca teve acesso a produtos financeiros?

#6 Economia circular e finanças regenerativas: como a tecnologia blockchain pode nos ajudar a resolver os problemas globais como gestão de resíduo, incentivo a comportamentos ambientais e promover externalidades positivas?

#7 DAOs e governança digital: como as comunidades online e offline encontram na tecnologia blockchain novos formatos de organização mais inclusivas e estruturação descentralizada.

#8 Desafios e resumo dos projetos e perspectivas apresentadas.

Desenvolvendo o solo para o impacto: Celo

O ecossistema de inovação requer acesso à capital inicial e suporte técnico para os primeiros passos de um novo negócio. Sem experimentação, é impossível desenvolver soluções tecnológicas inovadoras com grande potencial de impacto positivo.

O ecossistema da Celo provê instrumentos para empreendedores interessados em criar seus projetos: os Grants, o Celo Camp e o Flori são alguns exemplos. Cada um deles tem suas especificidades e ajudam os empreendedores com uma fase de seu desenvolvimento.

O Celo Grants – que viabiliza o podcast Impact- é um programa aberto que apoia projetos que compartilhem da missão da Celo. Empreendedores que buscam orientação e capital em diferentes estágios de desenvolvimentos podem submeter suas propostas para criar, desenvolver e lançar seus produtos.

O Celo Camp é um programa focado em prover o suporte necessário para desenvolvedores e idealizadores que querem criar e construir novos produtos e buscam suporte com mentores. As inscrições do Camp estão abertas até o dia 22 de março.

Para projetos que já passaram pela fase de ideação e criação e estão buscando ampliar suas operações, a Flori está aí. A Flori é um fundo destinado a auxiliar na escalabilidade de projetos, fornecendo tanto capital quanto networking com investidores e empreendedores do setor. Interessado em conhecer mais? Dá uma olhada nas empresas que já foram aceleradas pelo programa: .floriventures.com/community

Aviso: O texto apresentado nesta coluna não reflete necessariamente a opinião do CriptoFácil.

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