Inflação de agosto quebra recorde e Real atinge maior perda de valor da história

A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 0,87% em agosto. Foi o maior valor atingido pelo IPCA para agosto desde 2000, quando o índice teve alta de 1,31%.

Como resultado, o real brasileiro atingiu uma desvalorização acumulada de 85,41% desde sua criação, em 1994. Assim, R$ 100 hoje compram apenas R$ 14,59, o que representa a maior desvalorização da história da moeda.

Em outras palavras, uma pessoa que tivesse R$ 100 em 1994 e não tivesse aplicado esse dinheiro só conseguiria compra R$ 14,59 hoje. O ritmo de destruição do poder de compra do Real é notável. A título de exemplo, o dólar precisou de mais de um século para perder 80% de seu poder de compra.

No acumulado de 12 meses, o IPCA se aproxima dos 10% – precisamente, 9,68% em agosto, contra 8,99% em julho. O valor superou todas as estimativas do mercado, que esperava um IPCA entre 9,40% e 9,66%, bem como ficou acima do teto da meta do Banco Central, que é de 5,25%.

Os dados foram calculados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgados nesta quinta-feira (9).

Gasolina e alimentos contribuem para aumento

A maior contribuição individual para a inflação de agosto veio do preço da gasolina, que teve impacto de 0,17 ponto percentual e alta de 2,80% no mês. O combustível é fundamental para o transporte de mercadorias e, portanto, um aumento em seu preço gera um efeito cascata em toda a economia.

Nesse sentido, o preço do câmbio também influenciou na alta da gasolina. Visto que o Brasil importa parte do combustível que consome, o preço do dólar fez a carestia ficar ainda maior. O setor de alimentos e bebidas também registrou forte alta, subindo de 0,60% para 1,39% em agosto.

Por outro lado, o setor de habitação teve a maior queda (de 3,10% para 0,68%), ao passo que as despesas com saúde e cuidados pessoais foram as únicas a apresentar deflação (-0,65% para -0,04%).

Inflação permanente e maiores altas de juros

Com números cada vez maiores, a inflação não dá sinais de que pretende convergir até o centro da meta do Bacen (3,75% em 2021). De fato, a maioria dos analistas de mercado acredita que a alta nos preços veio para ficar, em contradição ao próprio discurso do Bacen no passado.

Segundo pesquisa do jornal Valor Econômico, cerca de 30% dos analistas econômicos mantêm projeções de inflação acima da meta de 2023. Daqui a dois anos, a meta de inflação será de 3,25%, com teto de 4,75%.

Embora as expectativas continuem dentro do centro da meta, a divergência é significativa. Os analistas afirmam que o risco fiscal, as eleições de 2022 e as crises institucionais levantam incertezas para o médio prazo.

Nesse sentido, as expectativas para a taxa de juros também são de aumento ainda mais intenso. Em duas semanas, o Comitê de Política Monetária (Copom) definirá a nova taxa Selic. O Copom já destacou que pode haver novo aumento de um ponto percentual, mas o mercado aposta numa elevação maior.

As opções do Copom negociadas na B3 mostram uma chance de 45% de uma alta de 1,25 ponto percentual. Para se ter uma ideia, a chance era de 26% na quarta-feira (8). Já as apostas para elevação de 1 ponto caíram pela metade, saindo de 71% para 35%.

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