Inflação de abril aumenta como esperado e juro real permanece negativo

A inflação brasileira teve um forte recuo em abril. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o mês com alta de 0,31%.

O percentual ficou em linha com as expectativas do mercado. Contudo, representa uma forte desaceleração em relação aos 0,93% registrados em março.

Alimentação e farmácia puxaram alta

Formado por uma cesta de vários setores, o IBGE busca replicar o impacto da inflação na economia real. Os setores costumam ter peso maior ou menor no desempenho mensal do índice – os percentuais são rebalanceados mensalmente.

Brasil

O grupo de saúde e cuidados pessoais foi um dos que puxou a alta do IPCA em abril. A alta deste setor foi de 1,19%. Ela foi puxada especialmente pelo setor de produtos farmacêuticos, que subiu 2,69%.

Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IPCA, destacou que houve um reajuste de até 10,08% no preço dos medicamentos. A alta já era esperada, mas ainda assim impactou o IPCA.

Já a alimentação, que tem o maior peso no IPCA, subiu 0,4% em abril. Houve uma aceleração em relação ao mês passado, quando os alimentos subiram 0,13%.

Por outro lado, os custos com habitação e transporte tiveram as maiores desacelerações. O impacto foi tanto que boa parte da desaceleração do próprio IPCA se deu por estes dois grupos.

O primeiro subiu 0,22% em abril, ante valorização de 0,81% em março. Os custos com transporte, por sua vez, tiveram uma queda real (deflação) e bastante expressiva. A variação foi de -0,08% em abril, comparado com forte alta de 3,81% em março.

Juro real segue negativo

Apesar da redução, a inflação acumulada em 12 meses chegou aos 6,76% no período. O índice está bastante acima do teto da meta do governo, que é de 5,25%.

Considerando a taxa Selic em 3,5%, o Brasil possui um rendimento real negativo (-3,26%). Isso quer dizer que o investidor está perdendo poder de compra em aplicações atreladas à Selic.

Embora juros negativos nominais nunca tenham existido no Brasil, a taxa real está mais baixa até do que a de países como Japão e Suíça. Para Kislanov, esse fenômeno é efeito da crise que aconteceu em 2020.

“Há o efeito das duas deflações que tivemos no ano passado, em abril e maio. Quando olhamos para os 12 meses, estamos tirando uma deflação de 2020 e adicionando uma variação positiva agora”, explica.

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