Banco Mundial se contradiz ao não ajudar El Salvador na adoção de Bitcoin

O Banco Mundial se recusou a ajudar na implementação do Bitcoin (BTC) como moeda oficial em El Salvador, conforme matéria publicada na Reuters nesta quinta-feira (17). Segundo a reportagem, o banco alegou que existem “desvantagens ambientais e de transparência” na decisão do país.

Na quarta-feira (16), o Ministro das Finanças do país, Alejandro Zelaya, solicitou o apoio técnico do Banco Mundial. A medida busca criar uma estrutura na qual o BTC e o dólar possam circular simultaneamente na economia.

A Ley Bitcoin foi aprovada pelo congresso salvadorenho em 8 de junho. O governo terá 90 dias antes que a lei seja de fato implementada. Nesse meio tempo, uma infraestrutura completa para a adoção do BTC pelos seus 6,5 milhões de habitantes deverá ser construída.

“Embora o governo tenha nos procurado para obter assistência sobre Bitcoin, isso não é algo que o Banco Mundial possa apoiar, dadas as deficiências ambientais e de transparência”, disse o comunicado.

Ao mesmo tempo, Zelaya também contatou o Fundo Monetário Internacional (FMI) em busca de auxílio. Apesar das críticas iniciais do FMI, as negociações foram positivas, disse o ministro.

Histórico do banco mostra contradição

Apesar de não ter deixado claro, as desvantagens ambientais apontadas pelo Banco Mundial seguem um roteiro de críticas conhecidas. O BTC é poluente, consome muita energia, combustíveis fósseis, entre outros rótulos.

No ano passado, uma ONG alemã intitulada Urgewald revelou que o Banco Mundial investiu cerca de US$ 12 bilhões em projetos. Deste valor, US$ 10,5 bilhões foram destinados a projetos que utilizam combustíveis fósseis diretamente.

Apenas a título de comparação, o Banco investiu menos de US$ 3 bilhões na busca por energias renováveis.

Tal investimento foi realizado à revelia do Acordo do Clima de Paris, assinado em 2015, cuja meta é controlar o aquecimento global. A medida repercutiu tão mal que, em fevereiro de 2021, oficiais da União Europeia exigiram que o Banco Mundial liquidasse tais investimentos.

“Nós pensamos que o Banco deveria excluir todos os investimentos relacionados ao carvão e petróleo. Paralelamente, é preciso delinear ainda mais uma política sobre a eliminação gradual da geração de energia a gás”, disseram os oficiais em comunicado.

Em contrapartida, cerca de 76% da energia utilizada na mineração de BTC provém de fontes renováveis, segundo um estudo da Universidade de Cambridge. Desse total, hidrelétricas geram 62% da energia.

Por fim, o BTC responde por menos de 0,1% de toda a eletricidade consumida no mundo, segundo dados da Associação Internacional de Energia, ou IEA.

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